domingo, 28 de setembro de 2008

Bizarro (carta)

Cara amiga,

É verdade
Como te descrever?

Se não há palavras, como posso te rascunhar meu bem?
Fragmento todas as minhas vozes para falar com você e se não a nada de concreto como posso vus desenhar por completa? E assim, ter uma recordação meramente imaginaria de minha ilusão. Talvez seja exagero meu, e provavelmente seja, mais de fato vejo algo em você meu bem. Posso te chamar assim?
Pois bem, ele (aquele que tanto beijas) escreve tantos versos, diz tantas palavras, troca tantos poemas e faz tantas coisas para ti que me sinto impotente e simplesmente desmotivado em te dizer ti quero. Então eu espero, eu fumo, bebo, desapareço na misantropia. Minha magoa é que toda essa penitencia seja inútil, afinal essas paixões normalmente acabam decepcionando, certo?
No fim das contas eu te quero, mas não ti amo, pelo menos não tenho esta certeza, e continuo sofrendo por essa rasura mal traçada e tentando rascunhar o perfil turvo que é essa sua face em minha vidinha pacata.

Lucas Freitas

sábado, 20 de setembro de 2008

Bobo da Corte (poema)

Bobo da corte

Eis a facécia em unção
Es bobo idôneo
E chora por pão

Vomitem no palhaço
Arremetam o coitado
Ele é pago...

Ha!

Lucas Freitas

Vingança (poesia)

Vingança

Faca em vosso peito me alegra
Sabe agora como me senti
Faça do vosso jeito tua morte
Que eu faço do meu a minha vida

Saiba que teu choro me faz bem
Sei agora como se sentiu
Acabo-me em gargalhadas em ver-te
No final dos versos me vejo a rir

Trajada estava
Não esta mais.
Agora é moribundo em teu mundo
E espero que tal miséria se prolongue
Talvez aprenda do que sou capaz.

Lucas De Freitas

Quarto.(carta)

Caríssimo Amigo,

Encontrava-me jogado aos cantos do meu quarto, sobre a minha cama. Ao meu lado um pequeno som de cor preta tocando as bossas e os sambas que me deixavam acordado nesse domingo vespertino, tedioso.
Vulgar essa palavra chamada tédio, prefiro chama-la de hora do ócio ou hora pensante. É a hora que viajo nas trovas que cantam em minha cabeça mal formada e imatura. Dezesseis anos perdidos em cantos.
Parei de sonhar um pouco com o teto branco que se encontrava sobre mim e comecei a prestar atenção nas notas que vazavam do meu sonzinho preto, Nele tocava toquinho que tocava a Bachianinha No. 1 de Villalobos que estranhamente me cutucava a imaginação e me fazia ver trechos de “micro-filmes”.
Virei à cabeça para o lado já em estado nostálgico e olhei para meu violão, pensei “Por que não componho algo assim?”. Desviei o olhar do estrumento e me vi entediado novamente.
Essa palavra tédio. Adoro-o mesmo sendo algo perigoso de se apreciar. Levantei-me e me sentei na cadeira e me encontrei pensando de novo, sobre o que não me lembro. Só me recordo que após 20 minutos acordei, e voltei aos para meus sonhos novamente.


Felicidades...

Lucas de Freitas