Estou me sentindo tipo “sei lá”. Sentindo-me como quem sonha acordado e não vê o tempo passar.
Meu caro leitor, por acaso já se sentiu assim? Sentiu-se “sei lá”? É uma sensação bem curiosa e confusa, você fica bobo e crendo que aquilo que você esta vivendo tem alguma importância, sendo que tal coisa é só um sonho fértil misturado com algumas pitadas do mundo material.
O que me comove nesse sentimento desconhecido é como você mergulha profundamente em si mesmo e afoga naquelas lembranças antigas para depois dar uma boa tragada no ar das previsões do que esta por vir, nesse ponto você já criou um universo intero dentro da sua cabeça. Você simplesmente desenhou seu futuro, para depois apaga-lo quando abrir os olhos.
É até engraçado, talvez porque hoje eu esteja feliz, misturei meu mundinho imaginário com meu presente aparentemente alegre. Sabe leitor, eu estou feliz e se isso for real ou não, pouco me importa... Eu mereço um momento de paz pra esfriar a cuca.
Aceita suco de laranja? Vivem falando pra mim que faz bem... Mas eu tomo só porque é gostoso.
_ Sei lá, me traz boas recordações o gosto dessa fruta. _Digo eu para você.
Lucas Costa
domingo, 21 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Canto do Quarto
Minha habitação resumida a quatro paredes de um quarto, uma garrafa de uísque e um cigarro aceso em uma noite quieta de inverno. Sentado em um canto sozinho ouvindo música, bebendo e fumando incessantemente.
São quase 3:30 da madrugada e eu acordado com a cabeça pesada de conflitos e tempestades. A casa vazia e calada a espera das campainhas tocando e dos jovens bêbados sujando o chão de vômito e barro. Tudo é calmo nesse momento presente, um ambiente perfeitamente pleno de harmonia, temperado com o som das árvores dançando aos toques do vento em suas copas.
Fecho os olhos por um estante e me desligo...
Sinto um toque macio perto de minha boca, ela me beija a face e eu abro meus olhos.
_Não ouviu a campainha tocar?_ Pergunta a garota com um sorriso e um hálito etílico ao lado de suas duas amigas.
_Não, mas fizeram bem em entrar.
Perguntei então como foi a noite e como passava, ela nada disse sentou ao meu lado com o mesmo sorriso alegre. As duas que estavam de pé me cumprimentaram enquanto Amanda levava a mão ate a bolsa e retirava um pequeno papel fino e o colocava sobre a mesa ao lado de um pacotinho que havia me entregado mais cedo.
_Pelo jeito ainda tem muito álcool pra hoje?_ Disse uma de suas amigas olhando e pegando a garrafa de uísque e dando uma generosa golada no mesmo.
Ligamos o som do meu computador na caixa de som e começamos a conversar enquanto ouvíamos música. A luminária apagada sendo que o quarto estava iluminado somente pela brasa de nossos cigarros acesos, que logo se apagariam e nos deixariam na completa penumbra, e das velas que acendemos por besteira. Passamos momentos nos divertindo com historias e falando idiotices, me senti uma criança de novo.
Alcoolizado e alegre, desviei por um segundo meu olhar do vazio do escuro e o foquei nos olhos de Amanda, olhos azuis profundos e vibrantes. Ela não notou, mas eu quase sorri por ela estar do meu lado. Continuei encarando ate que finalmente ela olhou frontalmente pra mim. Eu me afoguei naqueles olhos, meu corpo inteiro se petrificou e subiu uma sensação bizarra em mim, fiquei pálido.
Ela me tocou de leve os lábios com os dedos e se levantou meio cambaleando. Olhou pra traz e sorriu pra mim, enquanto a suas amigas riam próximas. Ela pegou o papel fino de ceda encima da mesa e abriu o pacote, eu a ajudei a embolar o fumo. Acendemos... Fumamos e voltamos a conversar, cada um distante um do outro desta vez.
A conversa começou fluir confusa, para cada palavra que emanava de minha boca a minha visão se distorcia um pouco. Era como se o tempo desacelera-se. Então eu ri, eu simplesmente comecei a rir, e quando olhava para Amanda era como se uma explosão de alegria inundasse meu peito. Levantei impulsivamente e me joguei na cama. Comecei olhar para o nada do teto e sonhar acordado enquanto ouvia as meninas conversarem e rirem largadas.
Um momento de silencio, fechei os olhos, comecei a sentir a música que estava tocando invadir meu mundo, e escutei os passos de alguém que vinha vindo em minha direção... Alguém que sentou ao meu lado na cama.
Ela deitou-se e tranquilamente tocou-me a boca com a carne dos lábios. Deslizou os dedos sobre meus braços, envolvendo-me, assim me fazendo virar e deitar de frente a ela. Abri os olhos, meu ar sumiu e me vi imerso naquele oceano... Naqueles olhos de Amanda.
Sua boca escorregou ate meu pescoço me deixando sem reação, agora não me controlava mais. Sentamos um de frente pro outro, toquei-lhe os seios e desci a mão ate a base de seu vestido preto o levantando, tirei a minha camisa e avancei. Não sei por que, mas, antes de qualquer coisa, coloquei-a entre meus braços e a abracei como uma mãe abraça um filho, apertei fortemente ela contra meu corpo prendendo-a firmemente e fechando meus olhos na esperança de parar o tempo.
Nada mais vi... Despertei de repente e ergui minha cabeça para ouvir o som das palmeiras dançantes e da casa vazia. Minha paixão resume-se a isso... O sussurro do vento em um quarto fechado.
Lucas Costa “Spleen”
São quase 3:30 da madrugada e eu acordado com a cabeça pesada de conflitos e tempestades. A casa vazia e calada a espera das campainhas tocando e dos jovens bêbados sujando o chão de vômito e barro. Tudo é calmo nesse momento presente, um ambiente perfeitamente pleno de harmonia, temperado com o som das árvores dançando aos toques do vento em suas copas.
Fecho os olhos por um estante e me desligo...
Sinto um toque macio perto de minha boca, ela me beija a face e eu abro meus olhos.
_Não ouviu a campainha tocar?_ Pergunta a garota com um sorriso e um hálito etílico ao lado de suas duas amigas.
_Não, mas fizeram bem em entrar.
Perguntei então como foi a noite e como passava, ela nada disse sentou ao meu lado com o mesmo sorriso alegre. As duas que estavam de pé me cumprimentaram enquanto Amanda levava a mão ate a bolsa e retirava um pequeno papel fino e o colocava sobre a mesa ao lado de um pacotinho que havia me entregado mais cedo.
_Pelo jeito ainda tem muito álcool pra hoje?_ Disse uma de suas amigas olhando e pegando a garrafa de uísque e dando uma generosa golada no mesmo.
Ligamos o som do meu computador na caixa de som e começamos a conversar enquanto ouvíamos música. A luminária apagada sendo que o quarto estava iluminado somente pela brasa de nossos cigarros acesos, que logo se apagariam e nos deixariam na completa penumbra, e das velas que acendemos por besteira. Passamos momentos nos divertindo com historias e falando idiotices, me senti uma criança de novo.
Alcoolizado e alegre, desviei por um segundo meu olhar do vazio do escuro e o foquei nos olhos de Amanda, olhos azuis profundos e vibrantes. Ela não notou, mas eu quase sorri por ela estar do meu lado. Continuei encarando ate que finalmente ela olhou frontalmente pra mim. Eu me afoguei naqueles olhos, meu corpo inteiro se petrificou e subiu uma sensação bizarra em mim, fiquei pálido.
Ela me tocou de leve os lábios com os dedos e se levantou meio cambaleando. Olhou pra traz e sorriu pra mim, enquanto a suas amigas riam próximas. Ela pegou o papel fino de ceda encima da mesa e abriu o pacote, eu a ajudei a embolar o fumo. Acendemos... Fumamos e voltamos a conversar, cada um distante um do outro desta vez.
A conversa começou fluir confusa, para cada palavra que emanava de minha boca a minha visão se distorcia um pouco. Era como se o tempo desacelera-se. Então eu ri, eu simplesmente comecei a rir, e quando olhava para Amanda era como se uma explosão de alegria inundasse meu peito. Levantei impulsivamente e me joguei na cama. Comecei olhar para o nada do teto e sonhar acordado enquanto ouvia as meninas conversarem e rirem largadas.
Um momento de silencio, fechei os olhos, comecei a sentir a música que estava tocando invadir meu mundo, e escutei os passos de alguém que vinha vindo em minha direção... Alguém que sentou ao meu lado na cama.
Ela deitou-se e tranquilamente tocou-me a boca com a carne dos lábios. Deslizou os dedos sobre meus braços, envolvendo-me, assim me fazendo virar e deitar de frente a ela. Abri os olhos, meu ar sumiu e me vi imerso naquele oceano... Naqueles olhos de Amanda.
Sua boca escorregou ate meu pescoço me deixando sem reação, agora não me controlava mais. Sentamos um de frente pro outro, toquei-lhe os seios e desci a mão ate a base de seu vestido preto o levantando, tirei a minha camisa e avancei. Não sei por que, mas, antes de qualquer coisa, coloquei-a entre meus braços e a abracei como uma mãe abraça um filho, apertei fortemente ela contra meu corpo prendendo-a firmemente e fechando meus olhos na esperança de parar o tempo.
Nada mais vi... Despertei de repente e ergui minha cabeça para ouvir o som das palmeiras dançantes e da casa vazia. Minha paixão resume-se a isso... O sussurro do vento em um quarto fechado.
Lucas Costa “Spleen”
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Dejeto poético
Acalmar-me-ei das angustias pra escrever meus versos. Não suporto mais a agonia de viver com brasas no peito e estacas no coração. São rachaduras que brotam de minha fronte, fazendo assim, escorrer cada idéia espremida da minha cabeça.
Já não posso me deleitar de suculentas palavras de uma poesia ou uma insurreição epifanica inspiradora. Pois não tenho mais para quem escrever, minha poesia se tornou vazia e seca. Só resta-me a egolatria e o egoísmo da metalinguagem.
Vejo que é fúnebre uma folha em branco. Preferia vê-la suja de meu próprio sangue a ter de tê-la ausenta de vida. Hei que choro meus amores esquecidos. E fadigado busco ar em incertezas passionais.
O poeta não deve ser feliz e nem deve ser triste, é vazio o sentimento solitário. Tempos de alegria e estabilidade nos bloqueia a evolução, e encontra partida, tempos de tormenta e desventuras nos abala e fustiga-nos ao suicídio.
Flores um dia morrem... Eu só apodreço.
(E agora estou sozinho)
Lucas Costa
Já não posso me deleitar de suculentas palavras de uma poesia ou uma insurreição epifanica inspiradora. Pois não tenho mais para quem escrever, minha poesia se tornou vazia e seca. Só resta-me a egolatria e o egoísmo da metalinguagem.
Vejo que é fúnebre uma folha em branco. Preferia vê-la suja de meu próprio sangue a ter de tê-la ausenta de vida. Hei que choro meus amores esquecidos. E fadigado busco ar em incertezas passionais.
O poeta não deve ser feliz e nem deve ser triste, é vazio o sentimento solitário. Tempos de alegria e estabilidade nos bloqueia a evolução, e encontra partida, tempos de tormenta e desventuras nos abala e fustiga-nos ao suicídio.
Flores um dia morrem... Eu só apodreço.
(E agora estou sozinho)
Lucas Costa
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